O que me levou a usar Scrum no ClubPetro

Sempre gostei de entender como as empresas funcionam, principalmente como fazem a sua gestão e encontrei no Scrum a metodologia certa para usar no ClubPetro

O ano era 2016, estava recém formado, entrando no ClubPetro, um projeto que estava no início e que hoje é a maior aceleradora de resultados no mercado de postos de combustíveis. Muito disso pelo fato de a empresa usar Scrum desde muito cedo. Não havia clientes, não havia processos, não havia produto, muito menos um time. Só tínhamos o propósito que nos movia a criar a empresa, resumindo: nós mesmos não estávamos de verdade prontos para o desafio.

O pensamento era justamente descobrir por onde começar. Eu e meus sócios enxergávamos muito a ser feito, mas mal conseguimos decidir para onde ir. Além disso, eles trabalhavam em outros negócios e eu era o único que estava 100% disponível ao projeto, por isso mesmo acabei responsável pelo dia a dia da empresa. Como um bom recém estagiário, minha vontade era entregar as demandas. Tudo que por algum motivo acabava sob a minha responsabilidade, desejava entregar. Na melhor qualidade e também o quanto antes possível.

Assim, as coisas andavam sem muita velocidade, e comigo como a solução para a maioria os problemas. Solução muitas vezes improvisada, mas que atendia os requisitos mínimos de aceitação. Não conseguimos usar de verdade o potencial máximo disponível dos 3 sócios do time, mal sabíamos como alinhar as nossas entregas para um objetivo único. Apesar de conversarmos muito, esse alinhamento nunca era completo. Eu era o mais inexperiente dos 3 e não fazia ideia de para onde estávamos indo. Só sabia que as demandas cada vez mais aumentavam e meu tempo já começava a ficar escasso. Os primeiros clientes apareceram, quando comecei tínhamos 4. Em poucos meses já estávamos com 20. Mas havia um detalhe importante: o ClubPetro não tinha  processos definidos. Só corríamos de um lado pro outro, desesperados, tentando garantir o resultado do produto no cliente. Da mesma forma, viajávamos o estado de Minas Gerais em busca de novos clientes. Uma correria sem fim. Entrando um dinheirinho, contratamos as primeiras pessoas para assumir funções que havíamos padronizado. "Comercial" e "Inaugurar o cliente" eram as duas áreas que tínhamos, e nas duas já havíamos errado o bastante para entender que precisávamos de um guia de trabalho, pois apesar de "repetitivos", as áreas precisavam seguir um padrão. Seguir esse padrão, era um desafio, pois ele não cobria todas as possibilidades e só estava pronto para cenários que já havíamos passado anteriormente. Mas da mesma forma, esse primeiro padrão nos fez crescer e foi o motor da nossa empresa nos primeiros 6 meses. Crescemos, já estávamos com uns 40 clientes e 10 pessoas no time. No meio disso tudo, estava eu, inexperiente e querendo provar valor aos sócios e que também eram primos mais velhos. Acho que eles já viam a minha ajuda , mas eu mesmo me enxergava como uma "máquina" no processo. Entregando demandas, mas sem de verdade saber ao certo como fazer a gestão daquilo "tudo".

Pessoas antes de qualquer processo, foi uma das primeiras coisas que fizeram sentido para mim, afinal, sem o nosso esforço para criar aquela empresa, nenhum dos processos que criamos precisava existir. As demandas estavam cada vez maiores e o trabalho operacional me roubava cada vez mais tempo. O meu trabalho não era mais o que movia a empresa, não adiantava correr, marcar, roubar a bola, driblar e chutar pro gol. Precisava aprender a jogar junto do time, a utilizar de verdade ao máximo as capacidades individuais de cada um dos membros. Da mesma forma, os processos padrão que havíamos criado estavam insuficientes, em uma Startup tudo muda muito rápido e eles precisavam ser melhorados e desenvolvidos com a todo instante .Me enxergava impotente perante a tudo isso. Afinal, era uma pessoa só e estava de verdade esgotado de muito trabalho duro. A sensação de não ser "essencial" para a empresa começava a me incomodar. Não tinha controle sobre o que acontecia, as "bombas explodiam" e nem sabia como reagir, e na minha cabeça, tudo era minha responsabilidade.

Esse sentimento me corroeu, queria internamente ser um melhor gestor, ter melhores resultados sem tantas emoções. E para evitar esse tipo de problema, acabei piorando tudo. Comecei a microgerenciar todo o meu time. Queria diminuir a quantidade de erros, queria não ter mais as bombas na rotina. E ainda bem, descobri rápido que não era esse o caminho. O trabalho de microgerenciar tudo demandava ainda mais energia, roubava meu tempo de pensar no futuro para melhorar os processos do ClubPetro. Além disso, me incomodava fazer com meu time algo que eu jamais gostaria que fizessem comigo.

Tive que voltar a estudar. Não voltar para a faculdade, mas sim recorrer ao meu melhor amigo: o Google. Eu sabia que não era um profissional experiente, que meu time também não era, que meus sócios também não. Mas não entendia como algumas empresas conseguiam ter 100 mil funcionários e eu não conseguia fazer a gestão de 10. Será que eu era tão ruim assim?

Essa cobrança interna não me desmotivou, pelo contrário, me fez ter a certeza que eu não estava no caminho certo. E me abriu o olho para entender como as empresas modernas faziam. Já ouvia falar sobre a forma de gestão das startups, mas não tinha nenhum exemplo próximo, por isso mesmo acabava muito nas reportagens sobre pufes, mesas de sinuca e video games, ou seja, todo aquela parte cool que as Startups oferecerem aos colaboradores.

Mas o meu amigo Google me mostrou um outro caminho. Era preciso estudar, ler, devorar o que existia de material para enfim conseguir criar a empresa que eu acreditava. Entendi que a empresa poderia gerar muito mais valor e que as pessoas poderiam ser o grande diferencial da empresa. Não queria ser o gargalo da operação, queria ter pessoas muito melhores que eu no ClubPetro,  fazer com que a empresa respeitasse as liberdades individuais de cada um e potencializar ao máximo os recursos que tínhamos.

Sempre gostei de entender como as organizações funcionam, quais métodos utilizam e como fazem a sua gestão. Acabei encontrando no Scrum, uma metodologia ágil para colocar tudo isso em prática. Pelo menos na teoria tudo era lindo e funcionava bem. As empresas que admirava usavam o Scrum e fazia sentido tentar, mesmo com muitos relatos contrários na internet.

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